Protagonismo juvenil

Publicado em 26 de outubro de 2011 às 10:40 | Autor: Guy Almeida Jr |

Jovens paulistanos e cariocas discutem cidadania em mais uma edição do Juventudes Brasileiras

Polização foi o forte do debate em São Paulo. Foto: Bob Paulino

Se existe um elemento historicamente presente em grande parte das revoluções (para não dizer em todas), esse é a participação dos jovens. Juventude, combustível do ativismo ou ativismo, fruto de seu espírito? Não se sabe o que é causa e consequência, assim como é difícil avaliar como anda o engajamento juvenil na atualidade. Democracia, cidadania, educação, liberdade de expressão, consumo, quais causas eles defendem?

Com intenção de estabelecer o diálogo sobre a relação desse público com diversos temas, a ESPM – a partir do Centro de Altos Estudos da ESPM (CAEPM) –, em parceria com o Globo Universidade, realizaram mais uma edição do Juventudes Brasileiras, evento que acontece todos os meses e  no qual eles discutem com especialista como são suas relações com temas com base em algum estudo. No dia 3 de outubro, em São Paulo, e no dia seguinte no Rio de Janeiro, politização e engajamento juvenil foram a pauta do evento denominado Jovem, consumo e cidadania.

Em São Paulo, foi realizado no Teatro Eva Herz, e foram convidados para o debate o professor titular do Departamento de Economia da FEA-USP, Ricardo Abramovay; o jornalista, cientista político e coordenador do Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto; além dos jovens: a professora de história na Escola Municipal de Ensino Fundamental Leonor Mendes de Barros, da capital paulista, e uma das responsáveis pelo blog cidadeando, Raquel Foresti; o consultor web e editor do blog Imprença {{não acredite em mim}}, Victor Amatucci; e a advogada especializada em direito ambiental e coordenadora de inteligência em sustentabilidade na Suzano Papel e Celulose, Rebeca Knijnik.

A diretora de pesquisas do CAEPM, Lívia Barbosa, foi a mediadora do debate. “Consumo e cidadania são dois personagens com histórias distintas, mas nos últimos anos eles vêm caminhando lado a lado”, explanou o tema, completando que o acesso a bens e serviços hoje é tido como atividade geradora de cidadania nos jovens. Ela apresentou dados de uma pesquisa feita com 457 pessoas sobre o tema Jovem, consumo e cidadania. Elas têm de 16 a 25 anos, são das classes A, B e C e moram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Veja a apresentação da pesquisa.

Durante o debate, o primeiro a falar foi Abramovay. A partir dos dados da pesquisa, ele destacou a confiabilidade da juventude em instituições como a escola, família e partidos políticos. “Eu sinto na sociedade brasileira, iniciativas nas quais a confiança é fundamental. E a capacidade de confiar nos outros é um elemento fundamental para a democracia”, disse, destacando o contraste dessa confiança entre instituições privadas e associativas com as públicas. E alertou: “É um sinal dos tempos e muito preocupante o partido político estar em último da fila.”

Sakamoto também focou na confiabilidade, sobretudo com a imprensa, e considerou que há uma interpretação equivocada do jornalismo. “Como jornalista, eu sempre vejo como está a confiança na imprensa. Está bem baixa. Doeu!” Ele citou o crescimento das redes sociais consideradas propulsoras de cidadania, mas ressaltou. “Aquilo entrou para as redes sociais e virou trend topics no Twitter, porém foram abastecidos pela imprensa”, se referindo ao caso do trabalho escravo nas confecções da Zara, noticiado pelo programa A Liga, da TV Band.

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