En.tre.pre.neur.ship (n) é o que define Babson

Publicado em 15 de agosto de 2013 às 18:40 | Autor: Artigo |

por Cléber da Costa Figueiredo

 

Cléber Figueiredo (primeiro a esquerda) e o grupo de estudantes da ESPM no campus da Babson College em Wellesley, Estados Unidos.

Entre 15 e 26 de julho ocorreu mais um programa de verão (no hemisfério norte) de curta duração do Babson College, uma escola americana de ensino superior com foco em empreendedorismo. Na edição de 2013, seis alunos do campus de São Paulo e um do campus de Porto Alegre, acompanhados por mim, estiveram presentes em Wellesley, cidade onde está situada a sede da escola de empreendedorismo.

Como se trata de um curso de curta duração, não há espaço para algum período de adaptação. É preciso minimizar as dúvidas ainda no Brasil. O aluno precisa chegar ao curso com as leituras prévias em dia e com o foco em empreender. Desse modo, antes mesmo do início do curso, os alunos já tiveram acesso ao material das aulas e trocaram várias ideias e experiências por meio de um grupo que foi criado no Facebook com essa finalidade, o que ajudou a minimizar as barreiras que poderiam existir para a adaptação intercultural.

Além do grupo de brasileiros formado por nós da ESPM, do programa Santander Universidades e do Insper, havia alunos do México, Chile, Espanha, Tunísia e Sudão no mesmo time. O que é um ponto positivo também para aquele aluno que optou pelo intercâmbio mesmo com menos vontade de empreender, uma vez que o contato com alunos de diferentes países e escolas favorece o desenvolvimento de algumas competências interculturais como a tolerância à incerteza, a vontade de se envolver ou a empatia étnica ou cultural, apenas para citar algumas das habilidades que podem ser estimuladas por programas como este.

A didática do curso está toda pautada no estudo de casos da própria escola e de casos de Harvard. Para o estudante é interessante notar que alguns desses exemplos de sucesso tiveram a participação ativa de ex-alunos de Babson. As aproximadamente 60 horas aulas de curso ainda estão recheadas de jogos, trabalhos em grupo e apresentações ao longo das duas semanas, o que prende a atenção do aluno a todo o tempo.

Já na primeira aula, os alunos foram instigados a descrever e identificar um novo negócio, viabilizando sua implementação e, ainda, encorajados a buscar soluções e dar recomendações aos colegas de modo que as ideias produzidas durante o curso pudessem ser viáveis. Nessa primeira aula, os grupos que trabalhariam para a apresentação do projeto final, chamado rocket pitch, durante os quinze dias seguintes já foram formados, com a recomendação para que os grupos procurassem mesclar indivíduos de diferentes escolas e países.

Os tópicos estudados, embora introdutórios, eram abrangentes. O curso começou com a discussão do que vem a ser o pensamento e o modo de agir de um empreendedor que busca o sucesso. Esse foi resumido pelo Prof. Zach Zacharakis, um dos diretores do curso, por meio de cinco palavras: conhecimento, energia, compromisso, relacionamento e paixão. Nas palavras dele, o empreendedor é aquela pessoa que possui conhecimento do negócio, sabe estabelecer redes de relacionamento com entusiasmo e energia, coloca em primeiro plano sua ideia, com comprometimento, lutando por ela com paixão. O Prof. Zacharakis ainda frisou que, sem a devida paixão, o empreendedor é incapaz de enfrentar os riscos, as incertezas ou o total desconhecimento do cenário que estará porvir. Na sequência, as aulas abordaram a dificuldade que está por trás de um empreendimento familiar, desde o que é ser um proprietário desse tipo de negócio, bem como geri-lo e conservá-lo em pé.

A importância dessa discussão é necessária quando se percebe que a maioria dessas iniciativas espalhadas pelo mundo é composta por corporações familiares. Conceitos básicos como sobrevivência, estabilidade e maturidade de uma empresa também foram discutidos. Tópicos como pesquisa de mercado, inovação, sustentabilidade e responsabilidade social ainda foram avaliados sob a óptica do empreendedor.

Cléber Figueiredo é doutor e mestre em estatística pela USP, professor de estatística da ESPM-SP e realiza consultorias para empresas de pesquisa e desenvolvimento.

Ao final, as ideias desenvolvidas e apresentadas pelos grupos, em seus rocket pitchs, refletiram o aprendizado das duas semanas do curso de verão e se moldaram a proposta do programa. O grupo de alunos da ESPM pode sentir um pouco o que é trabalhar com a diversidade e se adequar as normas e regras de outra instituição em outro país. Tivemos ainda a oportunidade de perceber como os Estados Unidos lidam com o problema de segurança pública no primeiro dia de aula, quando uma fumaça na cozinha do Olin Café, lanchonete localizada no interior do prédio em que ocorria a maioria das aulas, acionou o sensor de incêndio e precisamos ser retirados do prédio. Além disso, o grupo participou de três eventos sociais planejados pelo programa de intercâmbio de Babson: uma recepção de boas vindas, no Roger’s Pub, um passeio até Boston com parada no Quincy Market e, por fim, uma visita ao Wrentham Village Premium Outlets.

 

Veja as fotos da viagem.

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